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Falta trabalho para 27,7 mi de brasileiros, maior número desde 2012
quinta-feira, 17 de maio, 2018

Segundo o IBGE, do total da força de trabalho brasileira, 24,7% é subutilizada. Número de desalentados também é recorde, 4,6 milhões de trabalhadores

 

De toda a força de trabalho do mercado brasileiro, 24,7% está subutilizada, a taxa mais alta da série iniciada em 2012. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua trimestral, divulgada nesta quinta-feira 17 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

A soma desse contingente é o que a economia brasileira desperdiça de mão de obra atualmente, 27,7 milhões de pessoas. Os números do IBGE mostram ainda que o desalento também atingiu os maiores níveis da série histórica do Instituto, com um contingente de 4,6 milhões de pessoas e uma taxa de 4,1%.

 

 

Os principais resultados da Pnad Contínua já foram divulgados no final de abril e mostraram que o desemprego no primeiro trimestre chegou a 13,1%, aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao último trimestre do ano passado (11,8%). O total de pessoas desocupadas também cresceu no período, passando de 12,3 milhões para 13,7 milhões. Houve um aumento de 11,2% nesse contingente, ou mais 1,4 milhões de desempregados no País.

 

Só é considerado desocupado, e entra na estatística de desemprego, quem não está trabalhando, procurou emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa e estava apto a começar a trabalhar. Mas existem outras situações medidas.

 

A taxa composta de subutilização da força de trabalho agrega os desempregados, os subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial. Já o desalento, que faz parte da força de trabalho potencial, engloba as pessoas que estavam fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguiam trabalho, ou não tinham experiência, ou eram muito jovens ou idosas, ou não encontraram trabalho na localidade – e que, se tivessem conseguido trabalho, estariam disponíveis para assumir a vaga.

 

O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, explica que apesar de o número de desempregados ter caído 3,4% em relação ao primeiro trimestre de 2017, a população subocupada cresceu 17,8%, e a força potencial, 10%. “Mas o que puxou, principalmente, a taxa de subutilização da força de trabalho foi a população desalentada, que passou de 4,1 milhões para 4,6 milhões, um aumento de 12,4%”, declarou.

 

Segundo Azeredo, apesar da redução do desemprego observada em relação ao primeiro trimestre de 2017, o cenário é preocupante, pois “essa redução do desemprego se dá em função do aumento das outras formas de subutilização. Isso mostra o quão importante é levantar essas medidas, ainda mais quando sabemos que o perfil das pessoas desalentadas está focado entre a população de baixa renda, jovens, pretos e pardos”, comenta.

 

Taxas regionais

 

Entre os estados, a Bahia apresentou a maior taxa de subutilização (40,5%) e Santa Catarina, a menor (10,8%), no primeiro trimestre. Alagoas registrou a maior taxa de desalento (17,0%), e Santa Catarina e Rio de Janeiro, as menores (0,8% ambos). Cimar destacou, ainda, que a população subutilizada chegou a crescer, em um ano, 21% em Rondônia, 14% no Distrito Federal e 10% em Pernambuco. “No Distrito Federal, o desalento cresceu 123%”, ressaltou.

 

O desemprego também subiu em todas as regiões: Norte (de 11,3% para 12,7%), Nordeste (de 13,8% para 15,9%, as maiores entre as cinco regiões), Sudeste (de 12,6% para 13,8%), Sul (de 7,7% para 8,4%) e Centro-Oeste (de 9,4% para 10,5%).

 

Na comparação anual, a taxa recuou em todas as regiões. Amapá (21,5) e Bahia (17,9%) foram os estados com a maior taxa de desocupação. As menores foram registradas em Santa Catarina (6,5%) e Mato Grosso do Sul (8,4%).

 

Os dados do IBGE apontam ainda que em relação ao primeiro trimestre de 2017, o número de pessoas que trabalharam por conta própria aumentou significativamente em dez unidades da federação. “Isso denota uma precarização do mercado. Entre essas regiões, estão São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados economicamente fortes”, conclui Azeredo. As outras unidades da federação que tiveram aumento foram Acre, Rondônia, Mato Grosso, Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Amazonas.


Carta Capital, 17-05-2018

 

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