Menu

(83)3044-3282 (JP)    (83)2102-0800 (CG)       Siga-nos

Ler Notícia

Desigualdade de gênero: Salário menor para mulheres
segunda-feira, 29 de outubro, 2018

Nas três carreiras mais procuradas do país, renda de homens é até 23% maior

 

Apesar de estarem cada vez mais inseridas no mercado de trabalho e serem maioria no ensino superior, as mulheres ganham menos nas três carreiras que mais formam e melhor pagam no país: direito, medicina e engenharia civil. Isso reflete tanto o fato de as mulheres acumularem trabalho e tarefas domésticas quanto diferenças na regulamentação salarial dessas carreiras, apontam especialistas.

 

Levantamento da consultoria iDados mostra que, no caso do direito, a desigualdade de gênero está aumentando. As mulheres são maioria entre os formandos (57%) e já representam 49% desses profissionais no mercado. No entanto, o salário médio dos homens é 23% superior ao das mulheres, incluindo profissionais que atuam no Judiciário. Essa diferença mais do que dobrou na última década. Em 2007, a vantagem masculina era de 10%.

 

Nos outros dois curso avaliados, a desigualdade de gênero recuou nos últimos dez anos, mas ainda é significativa. Na engenharia civil, os homens recebiam 21% mais. Em 2017, essa diferença recuou para 15%. A medicina é onde a desigualdade é menor. Há dez anos, os médicos tinham rendimento 8% superior ao das médicas. No ano passado, essa diferença caiu para 5%. Em ambas as profissões, nesse período, a parcela de mulheres entre os formandos aumentou.

 

PISO REDUZ DISPARIDADE

 

Segundo Thais Barcellos, pesquisadora do iDados, ainda que haja barreiras comuns, diferenças na regulamentação salarial e no plano de carreira dessas três profissões explicam, em parte, a maior discrepância entre salários:

 

- Ao contrário do direito, medicina e engenharia civil têm regulações mais bem definidas em relação ao piso salarial. Além disso, há uma hierarquização maior no direito. Você pode ser desde advogado até um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o que provoca um abismo entre os salários, porque as mulheres são minoria nos cargos mais altos.

 

Apesar de os concursos públicos para cargos no Judiciário funcionarem como uma vacina para a discriminação de gênero, Renata Gil, presidente em exercício da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), lembra que a maior parte dos profissionais do direito está no setor privado, o que contribui para a desigualdade salarial:

 

-Temos um milhão de advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a maior parte em escritórios e empresas, e somente 18 mil juízes, funcionários públicos. No setor privado, o problema é maior. A maioria das mulheres ocupa cargos inferiores e ganha menos que os homens na mesma função. No setor público, os salários são equiparados.

 

Segundo Renata, as mulheres já são 44% dos juízes substitutos, primeiro degrau da carreira da magistratura, mas são poucas na cúpula do Judiciário. Elas ficam com apenas 16% das posições nos tribunais superiores. Entre os 11 ministros do STF, maior salário do serviço público, há apenas duas mulheres: Cármen Lúcia e Rosa Weber.

 

JORNADA DUPLA

 

A dificuldade de conciliar vida pessoal e carreira, devido ao acúmulo de tarefas familiares pelas mulheres, e o sistema de indicações políticas para os cargos mais altos, geralmente de homens, também contribuem para aumentar essa desigualdade, ressalta Renata.

 

Advogado e professor de equiparação salarial do Departamento de Direito da USP, Estêvão Mallet acrescenta que, entre os advogados no setor privado, a desigualdade salarial também está relacionada à predominância masculina na área, observada há até bem pouco tempo. Os advogados mais experientes, sócios das principais bancas, são homens. Além disso, eles tendem a serem mais atraídos para o direito penal, que tem remuneração maior que a área de família, que tradicionalmente concentra mulheres.

 

Apesar de a política de piso salarial favorecer a redução da desigualdade de remuneração na engenharia, Ana Adalgisa Paulino, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) do Rio Grande do Norte, observa que isso só ajuda as mulheres nos postos iniciais da carreira.

 

-Conforme há progressão na carreira, as mulheres ganham menos que os homens, mesmo que tenham a mesma qualificação -reclama Ana, que dirige uma das quatro unidades estaduais do Crea presididas por mulheres, entre os 27 conselhos do país.

 

Na medicina, a desigualdade tem razões semelhantes. Segundo Ligia Bahia, diretora da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, há mais mulheres ocupadas em especialidades que remuneram menos, como as cognitivas, enquanto a cirurgia, onde os ganhos são maiores, tem mais homens. Por conta do acúmulo de tarefas domésticas e da responsabilidade com os filhos, as mulheres também tendem a dispensar plantões, que aumentam a renda.

 

- No setor público, os salários são mais bem equiparados -afirma Ligia.

 

Desde 1992 a participação feminina no ensino superior brasileiro é maior do que a masculina, quando considerados os jovens de 18 a 24 anos, período em que deveriam estar na universidade.

 

Fonte: O Globo

 

 

 

 

 

 

Outras Notícias
 

Receita paga restituições do 6º lote do Imposto de Renda nesta sexta

sexta-feira, 16 de novembro, 2018

Projeto que regulamenta trabalho insalubre de grávidas e lactantes avança

quarta-feira, 14 de novembro, 2018

Desemprego é maior entre nordestinos, mulheres e negros, divulga IBGE

quarta-feira, 14 de novembro, 2018

Gilmar Mendes suspende decisão que obriga bancos a ressarcir clientes

quarta-feira, 14 de novembro, 2018

“Reforma Tributária Solidária” recebe reconhecimento em prêmio de comunicação

segunda-feira, 12 de novembro, 2018

Auditor Fiscal - Agente de Transformação Social

sábado, 10 de novembro, 2018

Sindifisco-PB participa do III Fórum Paraibano de Direito Tributário

sábado, 10 de novembro, 2018

Recomeça a luta em defesa da Previdência

sábado, 10 de novembro, 2018

Concurso do Fisco

sábado, 10 de novembro, 2018

Página 1 de 397 [1 2 3 4 5 6 7 8 9 > >> ]