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O Movimento Aguaceira é promessa de chuva nos corações
Autor: Adeildo Vieira

Há uns quatro meses atrás, eu tinha acabado de assistir a uma reportagem na televisão em que se mostrava a já tão batida terra rachada dos açudes sertanejos e o azul do céu com uma estampa de sol que dava, a cada segundo, a sensação de que jamais se veria um ocaso.

Narrava-se ali uma cena recorrente das páginas da história do nordeste brasileiro, mas que tende a habitar o futuro, uma vez que nada se faz mais árido do que o coração de quem tem o poder de estancar a morte que se alimenta da falta d’água.

Mal terminava a reportagem, recebi um telefonema de Escurinho, meu amigo compositor que carrega o sol no peito. Ele tinha assistido à mesma reportagem e pensava numa ação dos artistas pra fazer algo em favor de nossos irmãos sertanejos, uma vez que, já tendo mergulhado estiagens na sua infância em Catolé do Rocha, sentia na carne da memória a dor daquele povo. Escurinho se compadecia das imagens dos urubus que andam quase obesos de tão farto cardápio que lhes é oferecido pela morte dos magros animais da região.

Decidimos ativar nossa solidariedade oferecendo a nossa música. Mas não queríamos nossos shows como meros carros pipa para matar a sede de dignidade daquele povo por um dia ou algumas horas, queríamos oferecer rios perenes. Foi aí que, depois de compartilhar a angústia com outros amigos compositores e intérpretes, convidamos representações da sociedade civil para semear a discussão sobre o acesso a água no nordeste brasileiro, sobretudo em lugares onde o céu tem se recusado a oferecer.

Foi aí que nasceu o Aguaceira, movimento orquestrado por artistas conscientes de seu papel na sociedade, mas também por sindicatos de trabalhadores e outras entidades que abriram mão do corporativismo pra lutar por dias melhores para nosso povo. O objetivo é fazer caírem máscaras, mostrando que há soluções plausíveis para a convivência dos povos do semiárido com as secas.

O distanciamento de partidos nesta ação mantém os interesses eleitorais fora da discussão. Da mesma forma, o não financiamento de empresas para esta empreitada mantém o discurso sem amarras.

No início desta semana estivemos em Patos e Cajazeiras e temos mais quatro cidades a visitar. Levamos um show coletivo, plural por conceito e singular na mensagem, além de debates e intervenções nas câmaras de vereadores. Sentimos o impacto de todos verem chegando na cidade uma caravana solidária de artistas, trabalhadores e intelectuais movimentando uma iniciativa voluntária que não se propõe em encher cisternas de ilusões. Levamos uma chuva de inquietações que questionam o porquê de se achar água em marte, mas não se conseguir encontrar água para o povo guerreiro do semiárido brasileiro, muito embora sabemos os porquês desse tão precioso líquido não chegar no quintal do trabalhador rural, mas encharcar as terras do agronegócio.

Esta é uma proposta da sociedade civil organizada. Por ela criada e por ela financiada. Mesmo que chova, as ações continuarão na busca de soluções que perenizem a dignidade no semiárido até que a umidade dos corações – e das cabeças - pintem o sertão da cor da esperança. Uma coisa é certa, só o conhecimento da realidade é capaz de promover sua transformação. Enquanto isso não acontece, há quem trabalhe incansavelmente para manter a seca e assim trocar vidas por votos.

 

Adeildo Vieira é jornalista e músico.

(texto originalmente publicado em A União, onde o autor é colunista)  

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