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O Preço da Passagem
Autor: Lecivaldo C L Lima

Após 19 anos da implantação do plano real, podemos observar que ao longo desse tempo, o navio que estava indo à pique em 1994, ergueu-se, e voltou a navegar. Isto é fato, mas, diante dos bons ventos que sopraram  nas décadas seguintes,  não se aproveitou o momento para reestruturar o sistema político e se fazer a tão desejada reforma tributária.  Voltando ao nosso navio, sabemos que uma embarcação precisa de tripulação e passageiros. Os primeiros recebem seus salários para prestarem os serviços adequados aos seus clientes, pelo menos isso é o mínimo que se pode  esperar nesta modalidade de negócio.  Quanto mais eficaz e eficiente for o serviço de administração do navio, menor será o custo de operação, e consequentemente, menor será o preço da passagem, assim é entendido por todos aqueles que conhecem um pouco de economia.

De fato, qualquer empresa que vise sobreviver num mercado cada vez mais concorrente, e ainda necessitando ter lucro, precisará inovar, reduzir custos, enfim – deve  ousar  e ter coragem para fazer a coisa certa.

Um navio tem capacidade limite para uma tripulação e passageiros, mas o que percebemos ao longo dos últimos 15 anos foi um aumento considerável no crescimento da tripulação, de forma que esse excesso, fez o calado do navio afundar além do limite de segurança de flutuação ao nível do mar. Lembro-me da leitura que fiz do livro de Charlotte Rogan, intitulado “No coração do mar”, em um dos relatos, é registrado momentos críticos do naufrágio, com a aproximação de uma tempestade, onde haviam 40 passageiros em um bote salva-vidas, em sua capacidade máxima, e alguns deles tiveram que se lançar ao mar, para que a carga de peso do bote fosse reduzida, e assim elevasse um pouco o nível do calado em relação ao limite do ponto de flutuação, para que se pudesse dar a chance de sobrevivência aos demais que continuariam na embarcação. Podemos comparar esta parte da história com  muitos brasileiros que se encontram nessa mesma situação, onde são jogados do barco em um oceano de descaso, e tentam sobreviver batendo de  porta em porta e, a cada hospital visitado, só frustração e a certeza de que o afogamento é certo, pois as chances de sobrevivências são mínimas. Infelizmente, aqueles da tripulação, que lhes poderiam lançar a corda com a boia, não o fizeram, e assim muitos morreram, e outros tantos morrerão diante da incompetência de uma administração que infelizmente se prolifera em diversas instituições públicas.

Lembramos que o excesso de peso no navio provocou um consumo elevado de combustível, aumentando os gastos para manter a máquina funcionando, ocasionando assim a falta de material hospitalar, falta de medicamentos nos hospitais públicos, falta de médicos, falta de leitos nos hospitais, falta de hospitais, falta de segurança e falta de vergonha na cara daqueles que estão empenhados em administrar da melhor forma possível o dinheiro público. Mas com certeza, até o momento não faltou dinheiro para comprar e aparelhar a polícia com o gás de pimenta, gás lacrimogênio, bala de borracha e o cassetete.

Mesmo faltando muitos serviços no navio, ainda assim o passageiro precisa juntar quatro meses de seu suado salário, para  poder pagar o “preço da passagem”, talvez - para  poder bancar todas as mordomias dos amigos do comandante do navio, e por falar em comandante, esse quando se aposenta,  não tem mais do que reclamar, pois pobreza pra ele é coisa do passado,  pois trabalhou tão bem, apesar do pouco tempo, que  deu pra deixar bem os seus herdeiros.

Torçamos para que os passageiros continuem organizando-se,  e democraticamente continuem a exigir a moralização da administração do dinheiro público, fazendo com que “o preço da passagem” reduza para todos os passageiros que estão no mesmo barco, e que possamos ter um sistema tributário mais justo para que os preços dos produtos  adequem-se à realidade do salário médio no Brasil, e acabem de uma vez por todas com a exploração do trabalhador brasileiro que é refém de um sistema financeiro, em razão do mísero salário que se recebe, que mal dá, às vezes, para se alimentar direito.  Enquanto isso, os amigos do rei, corrigindo - do comandante, se divertem usando o dinheiro público nas viagens internacionais proporcionadas pelos cruzeiros marítimos de primeira classe de  que participam, levando consigo na bagagem uma grande quantidade de cargos comissionados de apadrinhados políticos, o que só ajuda a elevar o preço da passagem,  e manter o nosso sistema público de saúde num coma profundo, sentenciando milhares de brasileiros ao corredor da morte. Infelizmente, esse é o retrato de um diagnóstico que nos é apresentado todos os dias, nos telejornais, onde se revela a ineficácia dos projetos de governo que jogam rios de dinheiro pelo ralo. Até quando vamos aguentar o alto preço da passagem ?

 

Lecivaldo C L Lima

(Auditor Fiscal da Receita Estadual da Paraíba)

visite o site http://nfebrasil.ning.com

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